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Os hotéis continuam adotando novas tecnologias, mas sistemas desconectados podem gerar mais trabalho para a equipe e dificuldades para os hóspedes. Por que a interoperabilidade também é uma questão operacional.

Quando os sistemas de um hotel deixam de conversar entre si

Modern hotel reception illustrating the operational environment behind connected hotel systems

Por que a interoperabilidade está se tornando uma questão de serviço, e não apenas de TI

Um hóspede chega ao hotel depois de um voo longo.

A reserva existe. O perfil no programa de fidelidade existe. Uma preferência alimentar talvez já esteja registrada em algum lugar. A reserva no restaurante existe. O traslado do aeroporto foi confirmado. Talvez o hóspede já tenha até preenchido um formulário de check-in on-line.

E, ainda assim, na recepção, as mesmas perguntas começam de novo.

Dados do passaporte.

Horário de chegada.

Preferência de quarto.

Reserva no restaurante.

Traslado.

Necessidade alimentar.

Não houve necessariamente uma falha.

Cada sistema pode estar funcionando exatamente como foi projetado.

O problema é que estão funcionando separadamente.

Essa é uma das realidades menos glamorosas da tecnologia na hospitalidade moderna. Os hotéis passaram anos acrescentando sistemas para resolver problemas específicos: gestão hoteleira, reservas, pontos de venda, gestão de receitas, comunicação com hóspedes, fidelidade, spa, governança, manutenção, pagamentos, relacionamento com clientes, gestão de reputação e muitos outros.

Cada ferramenta pode melhorar uma parte da operação.

Juntas, porém, elas não criam automaticamente um hotel melhor.

Às vezes, criam outro tipo de trabalho.

O problema tecnológico que aparece na forma de serviço

Em 2026, o T100 da AHLA/HTNG, um grupo global de líderes de tecnologia hoteleira, publicou sua avaliação dos principais desafios tecnológicos enfrentados pelo setor.

Um dos pontos destacados foi a dificuldade que os sistemas hoteleiros ainda têm para trocar informações de maneira consistente. O relatório aponta sistemas incompatíveis, interfaces proprietárias e abordagens de integração inconsistentes como fontes de custo e complexidade adicionais. Também identifica, separadamente, a fragmentação dos dados dos hóspedes como um desafio persistente.

Trata-se de uma avaliação do próprio setor, não de uma medição acadêmica independente, e deve ser lida dessa maneira.

Mas o problema operacional descrito é fácil de reconhecer.

Uma questão tecnológica raramente fica restrita ao departamento de TI.

Quando dois sistemas não conseguem trocar as informações necessárias para uma tarefa, alguém acaba tendo de compensar.

Um recepcionista consulta outra tela.

O restaurante liga para a recepção.

Um supervisor copia informações para uma planilha.

A governança envia uma mensagem.

O setor de reservas atualiza uma observação.

O financeiro concilia dois relatórios.

O hóspede explica a mesma coisa duas vezes.

Nenhuma dessas ações parece especialmente grave quando vista isoladamente.

Ao se repetirem em centenas de quartos, vários pontos de atendimento, múltiplos turnos e milhares de estadias, elas podem se tornar parte da maneira como o hotel funciona.

E, quando uma solução de contorno se torna normal, fica surpreendentemente difícil lembrar que ela é apenas uma solução de contorno.

Os hotéis frequentemente compraram tecnologia para resolver um problema de cada vez

Há uma explicação razoável para isso.

Poucos hotéis projetam toda a sua arquitetura tecnológica do zero no mesmo dia.

Os sistemas se acumulam.

Um novo sistema de gestão hoteleira, o PMS, substitui o antigo.

O spa adota um software especializado.

Alimentos e bebidas precisa de outro sistema de ponto de venda, o POS.

O marketing acrescenta um CRM para gerenciar o relacionamento com os clientes.

A equipe de receitas adota um sistema de revenue management, o RMS.

A operação introduz uma plataforma para solicitações dos hóspedes.

A marca exige mais um aplicativo.

O provedor de pagamentos muda.

Um hotel também pode herdar sistemas após um contrato de gestão, uma aquisição, uma reforma ou uma mudança de bandeira.

Cada decisão pode ter feito sentido na época.

A dificuldade aparece depois, quando a gestão espera que uma informação criada em uma parte do hotel passe naturalmente para outra.

A própria hospitalidade é interconectada.

A tecnologia, muitas vezes, não é.

Um check-out tardio afeta a governança.

Uma troca de quarto pode afetar bagagem, frigobar, manutenção e faturamento.

Uma necessidade alimentar pode ser relevante para reservas, restaurante, serviço de quarto e banquetes.

Um atraso no aeroporto pode mudar o planejamento das chegadas, as reservas de restaurantes e o dimensionamento da equipe noturna.

A operação entende essas relações de maneira intuitiva.

O software só as reconhece quando alguém projetou as conexões.

O hóspede não deveria precisar entender os bancos de dados do hotel

O hóspede não se importa com qual sistema é responsável por uma informação.

Nem deveria.

Se o hotel já perguntou se alguém tem alergia a penas, é estranho perguntar de novo apenas porque o segundo funcionário está olhando para outra tela.

Se o hóspede pagou por um check-out tardio, a governança não deveria descobrir isso batendo à porta.

Se o restaurante confirmou um jantar de aniversário de casamento, a ocasião não deveria desaparecer só porque a reserva está fora do perfil principal do hóspede no hotel.

Isso não significa que toda informação deva acompanhar o hóspede em todos os lugares.

Algumas informações devem permanecer restritas.

Outras devem ter prazo de validade.

Dados sensíveis exigem permissões claras, segurança e acesso adequado.

Mas, quando uma informação é necessária para entregar um serviço combinado, o hotel precisa entender como ela circula.

Cada vez mais, isso faz parte do planejamento do serviço.

Uma informação não deveria gerar cinco tarefas manuais

Uma maneira útil de avaliar a tecnologia hoteleira é acompanhar uma única informação ao longo do empreendimento.

Considere uma troca de quarto.

O número do quarto muda uma vez.

Quantas pessoas ou sistemas precisam alterar alguma coisa por causa disso?

Recepção.

Governança.

Talvez a manutenção.

Bagagem.

Comunicação com o hóspede.

Lançamentos do restaurante.

Telefone.

Chave digital.

Wi-Fi.

Frigobar.

Faturamento.

Dependendo do hotel, vários desses itens podem ser atualizados automaticamente.

Outros talvez dependam de alguém se lembrar de avisar outra pessoa.

Essa diferença importa.

O objetivo da interoperabilidade não é simplesmente conectar mais softwares.

É reduzir o número de vezes em que as pessoas precisam transportar manualmente a mesma informação pela operação.

A distinção é importante porque mais integrações não significam, automaticamente, integrações melhores.

Um hotel com quarenta interfaces que ninguém compreende inteiramente pode ser menos resiliente do que um hotel com quinze conexões bem administradas e responsabilidades claramente definidas sobre os dados.

A resposta não é necessariamente um único sistema gigantesco

As discussões sobre tecnologia frequentemente se reduzem a uma escolha simples:

uma plataforma única ou várias ferramentas especializadas.

A realidade é mais complexa.

Um ambiente completo em uma só plataforma pode reduzir certos problemas de integração, mas também limitar a flexibilidade ou a profundidade de funções especializadas.

Um conjunto de sistemas especializados pode oferecer excelentes capacidades individuais e, ao mesmo tempo, criar necessidades adicionais de integração.

Nenhum dos modelos é automaticamente superior.

A pergunta mais útil é se a arquitetura reflete a maneira como o hotel realmente funciona.

Se o restaurante precisa de informações sobre quartos e hóspedes em tempo real, consegue recebê-las de maneira confiável?

Se a governança atualiza o status de um quarto, em quanto tempo essa informação fica disponível na recepção?

Se um funcionário corrige o perfil de um hóspede, qual sistema passa a ser a referência oficial?

Se uma interface falha durante a noite, a equipe sabe qual procedimento operacional deve substituí-la?

A arquitetura tecnológica fica muito mais fácil de avaliar quando a gestão deixa de perguntar apenas o que este produto faz?

A pergunta adicional é:

De quais informações ele precisa do restante do hotel, e de quais informações o restante do hotel precisa dele?

A IA torna a infraestrutura de dados ainda mais importante

A inteligência artificial torna essa discussão mais urgente, não menos.

O mesmo documento do HTNG T100 de 2026 dá bastante ênfase à preparação dos dados para a IA e à dificuldade do setor em construir informações confiáveis e unificadas sobre os hóspedes. Também recomenda regras mais claras sobre a responsabilidade pelos dados, as permissões e o uso da IA.

Isso faz sentido.

A IA consegue processar informações rapidamente.

Não consegue tornar verdadeiros registros contraditórios.

Imagine três sistemas descrevendo o mesmo hóspede de maneiras diferentes.

Um mostra um quarto padrão.

Outro registra um upgrade.

Um terceiro mostra uma reserva cancelada que depois foi reativada em outro sistema.

Acrescentar um assistente inteligente por cima desses sistemas não elimina a divergência que existe na base.

Talvez apenas a interprete mais rapidamente.

O setor, portanto, corre o risco de concentrar a atenção na sofisticação visível da IA e subestimar o trabalho menos empolgante que a sustenta: identificadores corretos, códigos de quartos consistentes, APIs confiáveis, permissões, registros de data e hora, eliminação de duplicidades e responsabilidade pelos dados definida em comum acordo.

Esses elementos raramente tornam uma demonstração de tecnologia impressionante.

Mas podem determinar se aquilo que foi demonstrado continuará funcionando seis meses depois.

O turismo fora dos hotéis enfrenta a mesma questão

O problema da integração não se limita a empreendimentos individuais.

O relatório Tourism Trends and Policies 2026, da OCDE, descreve esforços crescentes de governos e destinos para reunir dados turísticos fragmentados em sistemas mais coerentes.

O Chile lançou o MapaTurismo em março de 2026, integrando dados oficiais em uma plataforma comum de informações turísticas.

A Suécia vem desenvolvendo uma API padronizada para facilitar o acesso de empresas, regiões e plataformas externas a informações turísticas em um formato consistente.

No âmbito europeu, continua o trabalho em torno de um Espaço de Dados de Turismo, voltado a facilitar a troca segura de informações turísticas entre organizações e setores.

Essas iniciativas operam em uma escala completamente diferente da de um PMS de hotel ou de um POS de restaurante.

Mas o princípio é surpreendentemente parecido.

A informação se torna mais útil quando diferentes partes de um sistema conseguem compreendê-la sem precisar reconstruí-la a cada vez.

O turismo está começando a reconhecer que a infraestrutura de dados também é infraestrutura.

Os hotéis provavelmente deveriam pensar da mesma maneira.

O risco oculto é a dependência operacional

Sistemas conectados criam eficiência.

Também criam dependência.

Isso merece atenção.

Se os processos de check-in, pagamento, chave digital, governança e comunicação com os hóspedes estiverem fortemente conectados, uma interrupção pode afetar vários departamentos ao mesmo tempo.

Por isso, interoperabilidade não deveria significar projetar um hotel que fica sem alternativas sempre que uma API deixa de responder.

Uma boa arquitetura precisa de procedimentos de contingência.

A equipe deve saber o que fazer quando a conexão de pagamentos falha.

A governança precisa de um método para comunicar o status dos quartos quando a plataforma habitual está indisponível.

A recepção precisa ter acesso às informações essenciais sobre as chegadas durante uma interrupção do sistema.

O hotel deve compreender quais integrações trazem conveniência e quais se tornaram essenciais para a operação.

Isso não é um argumento contra a digitalização.

É um argumento a favor de saber do que a operação passou a depender.

A contratação de tecnologia exige outra conversa

As perguntas mais importantes sobre tecnologia muitas vezes são feitas antes da assinatura do contrato.

Naturalmente, os hotéis avaliam funcionalidades, custo de implantação, taxas de assinatura e experiência do usuário.

A interoperabilidade merece a mesma atenção.

O hotel consegue exportar seus próprios dados em um formato utilizável?

Quais APIs existem?

Elas estão documentadas?

Quais integrações são nativas e quais exigem outro fornecedor?

Quem faz sua manutenção?

O que acontece quando um dos fornecedores altera seu software?

Como são tratados os cadastros duplicados de hóspedes?

Como as permissões são gerenciadas entre países?

Com que facilidade o hotel poderia substituir um componente mais adiante, sem reconstruir metade do conjunto de sistemas?

E, talvez o mais importante:

Quais tarefas manuais deixam de existir depois da implantação?

Um sistema que produz um belo painel de indicadores, mas cria três novos processos de conciliação em outro lugar, pode ter melhorado um departamento e tornado o hotel menos eficiente no conjunto.

É por isso que as decisões sobre tecnologia não devem ficar exclusivamente nas mãos das equipes de tecnologia.

A operação precisa participar.

O financeiro também.

E também o funcionário que realmente executará aquele fluxo de trabalho às 23h30, quando o hotel estiver cheio.

O que os hotéis deveriam fazer agora

  • Mapear os fluxos de dados essenciais. Identificar quais informações precisam circular de maneira confiável entre departamentos e sistemas durante uma jornada habitual do hóspede.
  • Definir o sistema de referência. Determinar qual plataforma é a fonte oficial de cada dado importante quando os sistemas divergem.
  • Reduzir a inserção manual duplicada. Procurar os pontos em que funcionários estão copiando, redigitando ou conciliando as mesmas informações.
  • Testar integrações e procedimentos de contingência. Saber o que a operação fará quando uma API, uma conexão de pagamentos ou uma interface entre sistemas falhar.
  • Envolver a operação antes de comprar novas tecnologias. Avaliar não apenas o que o produto faz, mas qual trabalho manual ele realmente eliminará do hotel.

A complexidade acaba chegando ao hóspede

A maioria dos hóspedes nunca saberá qual PMS um hotel utiliza.

Nunca verá a arquitetura das APIs.

Não se importa com quantos bancos de dados existem por trás da reserva.

É justamente por isso que esses sistemas importam.

A tecnologia na hospitalidade funciona melhor quando a complexidade permanece nos bastidores do serviço.

O hóspede deve se sentir reconhecido sem precisar entender de CRM.

Um quarto deve ficar pronto sem que o hóspede precise saber como a governança se comunica com a recepção.

Uma despesa do restaurante deve ser lançada na conta certa sem que ninguém precise discutir interfaces.

A tecnologia dá certo quando apoia a operação, em vez de se tornar mais uma operação que a equipe precisa contornar e administrar.

Os hotéis passaram anos digitalizando tarefas individuais.

A próxima etapa talvez tenha menos a ver com acrescentar outra ferramenta e mais com compreender as relações entre as ferramentas que já existem.

Porque um hotel pode ter uma tecnologia excelente em cada departamento e ainda assim oferecer uma experiência fragmentada.

Todos os sistemas podem estar funcionando. O serviço ainda precisa funcionar como um único hotel.


Este artigo se baseia em pesquisas do setor disponíveis publicamente e nas fontes citadas abaixo. A interpretação e a análise editorial são do Cristian Marino Journal.

Fontes

  • AHLA / HTNG T100 — Top Industry Technology Challenges (2026). Avaliação setorial sobre interoperabilidade, fragmentação dos dados dos hóspedes e governança de IA e dados.
  • OCDE — Tourism Trends and Policies 2026. Contexto internacional sobre integração de dados turísticos, a API padronizada de turismo da Suécia, a plataforma MapaTurismo do Chile e o Espaço Europeu de Dados de Turismo.

Nota de tradução: Este artigo foi traduzido da edição original em inglês com o auxílio de inteligência artificial. Pequenas imprecisões linguísticas podem ocasionalmente permanecer. Em caso de divergência, a edição em inglês é a referência editorial. Ver o original em inglês · Política de tradução e idioma.

Edição original em inglês publicada em 8 de setembro de 2026.